Ramon Dino e a tributação do Mr. Olympia 2025: o que muda para o atleta

  • Ramon Dino e a tributação do Mr. Olympia 2025: o que muda para o atleta.
  • Como funciona a tributação de prêmios internacionais como o do Mr. Olympia.
  • O erro comum sobre impostos no exterior: o caso Ramon Dino e a Receita Federal.
  • Tributação universal: por que ganhar o Mr. Olympia nos EUA exige atenção no Brasil.
  • Premiação internacional e o fisco brasileiro: lições do campeão Ramon Dino.

Neste artigo você vai descobrir:

  1. Como funciona a tributação de prêmios recebidos no exterior por residentes no Brasil?
  2. É necessário pagar imposto no Brasil sobre dinheiro mantido em conta fora do país?
  3. Existe acordo para evitar a dupla tributação entre Brasil e Estados Unidos?

Recentemente, Ramon Dino, mais conhecido como o Dinossauro do Acre, consagrou-se campeão do Mr. Olympia 2025, o mais importante campeonato mundial de fisiculturismo.

Para além da conquista histórica, o feito trouxe consigo uma interessante polêmica tributária: afinal, como fica a tributação da premiação recebida em território norte-americano?

O mito da não repatriação de ativos

Um familiar do atleta comentou publicamente que a solução seria simples: bastaria não trazer o dinheiro para o Brasil. Segundo ela, como já teriam pagado impostos nos EUA e possuíam conta bancária no exterior, seria “burrice” remeter os valores ao país e pagar novamente.

Essa interpretação, contudo, revela uma confusão comum acerca do princípio da tributação universal (worldwide taxation) aplicável aos residentes fiscais brasileiros.

Como funciona o princípio da tributação universal no Brasil

O sistema tributário brasileiro adota o critério da renda mundial, segundo o qual todo residente fiscal no Brasil deve declarar os rendimentos auferidos em qualquer parte do globo, ainda que o valor não seja repatriado. Em outras palavras, se um residente fiscal brasileiro aufere rendimentos em Nárnia, tais valores deverão ser reportados oportunamente à Receita Federal.

A incidência do imposto de renda independente da remessa

Assim, a simples decisão de não remeter os valores ao Brasil não afasta, por si só, a incidência do imposto de renda brasileiro. O que efetivamente determinará a existência — ou não — de tributação adicional será a natureza do rendimento, a eventual aplicação de tratados para evitar a dupla tributação e a comprovação de imposto pago no exterior, que, em certas situações, pode gerar direito à compensação.

Reciprocidade tributária entre Brasil e Estados Unidos

No caso de Ramon Dino, a premiação foi recebida nos EUA, onde as retenções federais na fonte podem alcançar cerca de 30% sobre prêmios e rendimentos pagos a não residentes.

Apesar de Brasil e EUA não terem firmado tratado para evitar a dupla tributação, há um acordo de reciprocidade reconhecido pelo Ato Declaratório SRF nº 28, de 26 de abril de 2000, que autoriza, em determinadas situações, a compensação do imposto pago nos EUA com o imposto devido no Brasil.

A natureza jurídica da premiação e as alíquotas aplicáveis

A definição da natureza jurídica da premiação é determinante. Caso se entenda que o valor recebido possua natureza salarial, aplicar-se-á a alíquota de até 27,5%; se for considerado rendimento, a alíquota será de 15%; e, se configurado ganho de capital, variará entre 15% e 22,5%. Assim, como a tributação norte-americana na fonte alcançou percentual superior, é provável que não haja qualquer valor adicional devido ao Fisco brasileiro.

Obrigações acessórias e a declaração de ajuste anual

Naturalmente, o atleta deverá reportar integralmente tais valores na sua declaração de imposto de renda de pessoa física referente ao exercício de 2026 (ano-base 2025), incluindo os tributos pagos nos Estados Unidos e observando as normas de conversão cambial e documentação comprobatória.

O caso de Ramon Dino evidencia o desconhecimento das regras tributárias brasileiras pelo grande público, reforçando a necessidade de análise técnica cuidadosa para prevenir a bitributação e eventuais irregularidades fiscais.

Em tempos de globalização, a orientação tributária adequada é tão essencial quanto o treino que leva ao pódio.

A conquista de Ramon Dino no Mr. Olympia 2025 acende o alerta sobre a tributação universal. Residentes fiscais no Brasil são tributados sobre sua renda global, independentemente da repatriação dos recursos. No entanto, devido ao acordo de reciprocidade com os EUA, impostos retidos na fonte em território americano podem ser compensados no Brasil, evitando o pagamento em duplicidade, desde que a declaração seja feita corretamente.

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Aviso Legal: Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico, fiscal ou financeiro. As leis tributárias estão sujeitas a alterações e interpretações variadas. Recomenda-se a consulta com um especialista em planejamento sucessório e tributação internacional para análise de casos específicos.

Foto de Escrito por: Gustavo Godoy
Escrito por: Gustavo Godoy

Advogado, Mestre em Direito Tributário, especializado em tributário e planejamento patrimonial e colíder da prática de Wealth Planning,  no TAGD Advogados.

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